Paraíba

Travesti que esfaqueou Warley é condenado

O jovem Victor Coelho da Silva, de 27 anos, foi condenado a dois anos de reclusão mais 40 dias-multa por esfaquear o ex-jogador da Seleção Brasileira e gerente de futebol do Botafogo-PB Warley Santos em janeiro deste ano. O processo foi julgado na segunda-feira (10). Victor trabalhava como garoto de programa, na época do crime, e foi condenado por lesão corporal e fazer justiça pelas próprias mãos.

Na decisão, o juiz Rodrigo Marques Silva Lima substitui a pena privativa de liberdade por duas penas restritivas de direito, na modalidade de prestação de serviços à comunidade pelo período da pena e limitação de final de semana. O juiz ainda concedeu a Victor o direito de recorrer em liberdade, jque respondeu ao processo nesta condição e por não vislumbrar requisitos para a prisão preventiva.

Warley foi esfaqueado na madrugada do dia 26 de janeiro, durante uma briga com o condenado no bairro de Manaíra. Victor Coelho da Silva foi preso no dia 30 de janeiro e solto após uma audiência de custódia no dia 31 de janeiro, mesma data em que Warley teve alta médica.

O que diz o processo

Conforme a denúncia do Ministério Público da Paraíba (MPPB), no dia 26 de janeiro de 2018, por volta das 3h30 (horário local), após ingestão de bebidas alcóolicas, Warley passava pela Avenida Edson Ramalho quando decidiu contratar um travesti para fazer sexo oral nele.

Em determinado momento, quando Warley Santos e Victor Coelho estavam no banco de trás do carro, após o programa ser iniciado, houve uma discussão e o condenado saiu do veículo levando o celular de Warley, gritando que a vítima não havia pago o programa.

O juiz explica que tanto o depoimento de Warley quanto o de Victor deixam claro que houve um acerto por um programa sexual e que os fatos do dia aconteceram em dois momentos. Um dentro do carro e outro fora.

“A discussão entre réu e vítima, ocorrida no interior do carro, se estendeu para fora deste, havendo uma disputa pelo celular do ofendido, tendo o réu tentado fugir na posse do bem, enquanto a vítima correu atrás dele, alcançando-o e desferindo chutes e golpes de cinto”, diz o texto da decisão.

Ainda conforme as provas, quando Warley voltava para o carro, de posse do celular recuperado, foi surpreendido por Victor, que estava com um objeto pontiagudo. Os dois brigaram e durante a confusão, Warley foi atingido duas vezes.

A denúncia do MPPB pedia a condenação de Victor Coelho pelo crime de tentativa de latrocínio, mas o entedimento do juiz é de que houve outro crime.

“A dúvida favorece o réu, na conclusão de que algum programa houve e que ele agiu com a intenção de receber o pagamento que entendia ser devido e, mesmo podendo ter ido embora com o celular em mãos, entendeu por retornar e atingir a vítima com o objeto pontiagudo que trazia consigo, incidindo na prática dos crimes de exercício arbitrário as próprias razões, seguido de lesão corporal grave”, diz o magistrado no processo.

A defesa de Victor Coelho alegou que houve apenas o cometimento do crime de exercício arbitrário das próprias razões, mas segundo a Justiça, conforme provas e depoimentos do réu, da vítima e de testemunhas, ficou evidente que o condenado poderia ter agido de modo diferente, “mas entendeu por bem retornar, agarrar-se com a vítima e golpeá-la nas costas”.

G1

 

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